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Comportamento
 
04/02/2010
Técnicas da psicanálise ajudam crianças a perderem o medo de dentista
 
da redação
 
No 28º Ciosp, odontopediatra apresentou nesta quarta-feira (dia 03) estudo inédito, resultado de sua tese de mestrado na USP, na qual afirma que o temor e o desconforto na cadeira de dentista podem ser facilmente tratados com técnicas da psicanálise e da medicina psicossomática.

Criada por Sigmund Freud, a psicanálise vem sendo usada por uma dentista brasileira para fazer com que crianças percam o pavor de dentista. Nada de divã, cortinas pesadas e olhares sisudos. O que ela usa são brinquedos, desenhos, argilas e muita flexibilidade na hora de tratar os problemas bucais de seus pequenos pacientes. Na cadeira de dentista, o motorzinho se transforma em um avião e a broca, em um trenzinho que, por meio da imaginação, conseguem levar a criança para além da sala do consultório.

No 28º Ciosp - Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, que termina hoje (dia 3), a cirurgiã-dentista e psicanalista Sonia Pineda Vicente vai apresentar a monografia inédita "Experiências de Encantamento na Odontopediatria: A hipnose e as consultas terapêuticas na Odontopediatria", elaborada para curso de especialização em Psicopatologia e Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Neste trabalho - que é um desdobramento de sua tese de mestrado em Odontopediatria para a Faculdade de Odontologia da USP -, ela explica como as técnicas da psicanálise e os ensinamentos da Medicina Psicossomática podem ajudar crianças a perderem o medo de dentista. O estudo envolveu seis crianças, de 18 meses a 12 anos, e uma jovem esquizofrênica de 23 anos.

As muitas dificuldades encontradas em uma sala de consultório fizeram com que a odontopediatra fosse buscar respostas na psicologia, na psicanálise, na arte terapia e na hipnose, práticas que a ajudassem a lidar com crianças de difícil acesso que, por causa do medo de dentista, inviabilizam o tratamento dentário.

Uma das práticas encontradas pela odontopediatra é a técnica do Jogo do Rabisco, desenvolvida por Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista britânico da segunda metade do século XX, que consiste em uma brincadeira na qual terapeuta e paciente executam, alternadamente, traços livres. À medida que cada um modifica o rabisco do outro, um desenho vai ganhando forma. Dessa maneira, ela consegue não só a confiança do paciente, como também descobre conflitos internos com a interpretação desses desenhos. "Com essa técnica de encantamento, os conflitos vêm à tona muito mais rápido. O profissional conquista o paciente, alivia sua tensão e o deixa em um estado de relaxamento", explica a psicanalista e terapeuta comunitária.

Quando a criança chega à clínica, é levada a uma sala repleta de brinquedos, onde, afastada dos materiais odontológicos que a intimidam, ela pode desenhar, brincar em pequenos jardins japoneses, pintar quadros e até mesmo fazer esculturas com argila. Depois desse momento de desconcentração, a psicanalista consegue levar o paciente até a cadeira de dentista e realizar o tratamento. A consulta terapêutica, entretanto, não termina ali. "Enquanto faço meu trabalho, costumo cantar ou contar histórias utilizando meus instrumentos de trabalho". Com a técnica do "diga, mostre e faça", ela explica passo-a-passo os procedimentos da consulta, envolve a criança e faz com que ela perca o medo.

Além de tratar os pequenos, a psicanalista ajuda adultos com fobia ou algum tipo de trauma de dentista. Depois de curar esse medo, ela encaminha para outros profissionais para dar continuidade ao tratamento. Além do Jogo do Rabisco, as técnicas mais usadas são a do relaxamento e a da hipnose.

Segundo a odontopediatra, o pavor de dentista pode ter origem desde em uma consulta traumatizante, até em uma bagagem transgeracional, quando o medo é passado de geração em geração. "O importante é fazer o manejo e o tratamento do paciente odontopediátrico de forma eficaz e nunca traumática, tanto na clínica privada como nos serviços públicos", explica Sonia Pineda Vicente. O intuito das consultas terapêuticas é possibilitar à criança uma relação tranqüila, de mútua satisfação, até com algo prazeroso na relação profissional-paciente. "Isso torna o retorno tranquilo para outros tipos de tratamentos que ela possa se submeter durante sua vida, evitando-se assim as condições fóbicas que presenciamos em tantos adultos que nos chegam ao consultório, ainda nos dias de hoje, por não terem recebido um tratamento apropriado quando criança", conclui.

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