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Comportamento
 
19/02/2010
Uma epidemia de culto ao corpo
 
da redação
 
Médica explica as conseqüências do excesso da preocupação com a aparência.


Fashion Rio, São Paulo Fashion Week e agora o carnaval. O que esses eventos têm em comum? Seja nas passarelas da moda ou do samba, o que se vê são mulheres e homens mostrando corpos e rostos considerados perfeitos para o que convencionalmente a sociedade aprecia como beleza.

Diante do culto ao belo, as pessoas buscam incansavelmente a perfeição. Prova disso, são os números de cirurgias plásticas feitas só no Brasil. São cerca de 620 mil anualmente. O que corresponde a mais de 1.600 cirurgias plásticas feitas por dia. Colocando o Brasil em segundo lugar no ranking de países que mais fazem plásticas no mundo. Para o mercado de cosméticos não há crise. Só em 2009, o setor faturou cerca de 24 bilhões de reais.

Com o aumento excessivo da preocupação em relação à aparência, cresce o número de pessoas que sofre com o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC). Cerca de 1% da população padece com a doença que, segundo a endocrinologista e psicanalista, Soraya Hissa de Carvalho, trata-se de uma epidemia de culto ao corpo. “A vaidade pode ser tanto uma aliada da auto-estima quanto um inimigo. Tudo depende de como se lida com ela”, diz a médica.

O TDC é um transtorno mental que se caracteriza por afetar a percepção que o paciente tem da própria imagem corporal, levando-o a ter preocupações irracionais sobre defeitos em alguma parte de seu corpo. A doença é uma variação do Transtorno Obsessivo Compulsivo. “Esse transtorno é relativamente comum, algumas vezes incapacitante, e envolve uma percepção distorcida da imagem corporal caracterizada pela preocupação exagerada com um defeito imaginário na aparência ou com um mínimo defeito corporal presente”, explica.

Grande parte dos pacientes portadores dessa síndrome recorre aos tratamentos dermatológicos ou cirurgias plásticas. Na maioria das vezes, existe uma insatisfação com os resultados obtidos, o que leva o paciente a se expor a novos tratamentos e riscos desnecessários. Estima-se que entre as pessoas que procuram cirurgia plástica, aproximadamente 9% são portadores de TDC. O astro Michael Jackson é citado por especialistas como ícone do exagero e possível dismórfico.

Buscar um modelo quase inatingível de beleza pode ser frustrante para a maioria das pessoas, mas não é apenas a auto-estima que está prejudicada, a saúde física e mental também corre sérios riscos. “A ansiedade para alcançar a tal beleza é tão grande que pode se tornar depressão. Isso gera um isolamento prejudicial aos relacionamentos pessoais e profissionais”, alerta a médica.


Doenças relacionadas ao Transtorno Dismórfico Corporal

Transtornos alimentares (anorexia; drunkorexia; bulimia) e a vigorexia são doenças relacionadas ao Transtorno Dismórfico Corporal.

Anorexia
: mais comum em mulheres, a doença faz com que as pessoas queiram emagrecer a todo custo porque se vê gorda, mesmo estando muito abaixo do peso. Para isso, métodos são utilizados para não engordar como: evitar alimentos calóricos, comer menos ou fazer exercícios em excesso.

Drunkorexia: também conhecida como anorexia alcoólica, caracteriza-se pela perda de apetite provocada pelo consumo excessivo de álcool. O assunto está em pauta e vem sendo discutido na novela "Viver a Vida", da Rede Globo. A personagem Renata, vivida pela atriz Bárbara Paz, sofre com a doença e se recusa a fazer tratamento.

Bulimia: um transtorno mental que se caracteriza por episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos num curto espaço de tempo (as crises bulímicas), seguido por uma preocupação exagerada sobre o controle do peso corporal. Esta preocupação leva a pessoa a adotar condutas inadequadas e perigosas para sua saúde, como provocar o vômito, tomar laxantes ou diuréticos.

Nesse caso, acontece o que os médicos chamam de episódios bulímicos, ou seja, existe uma compulsão alimentar em que o individuo come descontroladamente, se sente frustrada, triste, cheia e fisicamente se sente mal”, relata a médica.

Vigorexia: mais comum em homens, se caracteriza por uma preocupação excessiva em ficar forte a todo custo. Apesar dos portadores desses transtornos serem bastante musculosos, passam horas na academia malhando e ainda assim se consideram fracos, magros e até esqueléticos. Uma das observações psicológicas desses pacientes é que têm vergonha do próprio corpo, recorrendo assim aos exercícios excessivos e às fórmulas mágicas para acelerar o fortalecimento como, por exemplo, os esteróides anabolizantes.

Se o vaidoso faz exercícios para manter a auto-estima e a saúde em alta, o dismórfico faz disso uma obsessão, podendo comprometer inclusive a integridade física do corpo” afirma Soraya.


Tratamento

Quem sofre do Transtorno Dismórfico Corporal, na maioria das vezes não assume a doença, ou por não acreditar que há problema ou por vergonha. Segundo a psicanalista, nestes casos, o apoio da família é fundamental. Buscar um acompanhamento com especialista é necessário para indicar o melhor tratamento. “Quem tem um amigo, ou familiar, com traços da síndrome não deve encarar como futilidade ou como idéia delirante. Deve apoiar para não agravar o problema para um caso depressivo”, orienta a Soraya.

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