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Beleza
 
06/10/2009
Autoestima: Implantação de prótese de silicone nos seios em casos de câncer de mama
 
da redação
 
O uso da prótese de mama ultrapassa os limites da cirurgia estética. Após o diagnóstico de câncer de mama e a remoção total de, pelo menos, um dos seios, o implante de prótese de silicone é uma das alternativas de reconstrução e resgate da autoestima da mulher.

 

A evolução da tecnologia em próteses de silicone e da prática cirúrgica confirmam que a ocorrência do câncer de mama não precisa representar uma queda na qualidade de vida da mulher. Pelo contrário, com a cirurgia plástica e as inúmeras técnicas disponíveis para a reconstrução, ela tem condições de retomar todas as suas atividades sociais, profissionais e sexuais. Com a cirurgia oncoplástica, é possível proporcionar bem-estar emocional, físico e psicológico à paciente, que pode ter novos seios, muitas vezes mais bonitos que antes”, explica Dr. Alexandre Mendonça Munhoz (CRM-SP 81.555), médico especialista em cirurgia plástica de mama e oncoplástica, Membro Especialista e Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Membro Consultor do corpo de revisores internacionais das revistas americanas Annals of Plastic Surgery e Plastic Reconstructive Sugery, Membro do Corpo Editorial da Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, além de integrar o corpo clínico dos Hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein, Fleury, Oswaldo Cruz e São Luis.

Para saber mais sobre como é a reconstrução mamária com a implantação de próteses por meio da cirurgia oncoplástica, entrevistamos o Dr. Alexandre Munhoz, que nos apresenta os principais aspectos que envolvem a colocação de próteses em mulheres que passaram pela remoção total de um dos seios. Acompanhe.   

 

1- Uma mulher pode realizar a cirurgia oncoplástica quantos anos após a realização da operação de remoção do seio? Ex. A operação de câncer de mama aconteceu há mais de cinco anos e, agora, essa paciente deseja implantar prótese nos seios. Isso é possível?

Preferencialmente, a cirurgia deve ser feita no mesmo momento da cirurgia do câncer de mama, um processo que denominamos de reconstrução imediata. Caso não haja possibilidade, pode ser feita após a realização de todo tratamento pós-operatório, que envolve quimioterapia e/ou radioterapia. Nesse caso, desde que todos os exames estejam normais e o oncologista ou o mastologista não evidenciarem nenhuma lesão suspeita na mama, pode ser realizada a cirurgia de prótese sem problemas. Nesta situação, é mais seguro que a prótese seja colocada na região atrás do músculo peitoral, chamada de posição retromuscular. Vale lembrar que a prótese pode ser colocada a qualquer momento, independente do intervalo entre a retirada do câncer e a nova cirurgia. Todavia, por meio de uma avaliação criteriosa por parte do cirurgião deve-se analisar as condições locais da pele como espessura e elasticidade.



2- Como é que funciona a prótese-expansora que pode ser utilizada para reconstrução da mama? O que são próteses bidimensionais?

Um dos tipos especiais utilizados em casos de câncer de mama é a chamada prótese-expansora, que apresenta dois compartimentos: um de silicone semelhante às próteses convencionais e outra parte de solução salina (soro fisiológico). A região que contém silicone tem um volume fixo, que não muda após a cirurgia. Já o volume do compartimento de salina pode ser alterado para mais ou para menos, uma vez que é conectado à uma pequena válvula subcutânea. Por meio de punção com uma agulha bem fina (quase indolor), o cirurgião plástico coloca ou tira soro fisiológico, permitindo, assim, aumentar ou diminuir o volume da mama sem a necessidade de uma nova cirurgia, de acordo com o andamento do pós-operatório.

A prótese biodimensional é uma prótese que apresenta duas dimensões diferentes. Habitualmente, a largura pode ser maior ou menor que a altura e a projeção pode ser diferente em regiões distintas da prótese - na parte de baixo, ela é mais projetada que na parte de cima. Desta forma, e principalmente nos casos de reconstrução mamária, o cirurgião pode obter melhores resultados com diferentes formatos e anatomias de mamas. As próteses que não são biodimensionais são chamadas de redondas e, dependendo do tipo de mama, podem apresentar resultados mais limitados uma vez que apresentam apenas uma dimensão. Essas próteses são usadas, inclusive, em cirurgias estéticas da mama em casos específicos de grandes assimetrias.

 

3- A evolução das próteses de mama, de material e formato, também beneficia as próteses usadas na cirurgia oncoplástica?

Sim, hoje o formato e o material evoluíram muito e a incidência de contratura capsular (endurecimento da prótese) é muito menor. Como as cirurgias de reconstrução são maiores e mais extensas e as pacientes são submetidas à radioterapia, a qualidade do material utilizado na confecção da prótese é fundamental para se reduzir a possibilidade de reação do organismo e, por conseqüência, obter bons resultados em longo prazo.


4- As próteses devem ser implantadas nos dois seios, mesmo que apenas um tenha sido afetado pelo câncer?

A colocação da prótese dependerá da anatomia, posição e formato da mama não acometida pelo câncer. Na minha experiência cirúrgica, verifico que em 2/3 das pacientes existe a necessidade de operar a outra mama não atingida pela doença, com colocação de prótese nos dois seios, a fim de se obter simetria e um bom resultado estético final.

Às vezes, a própria paciente deseja aumentar as duas mamas, independente do bom resultado que se consegue operando apenas a mama que teve câncer. Logo, essa decisão de implantar uma ou duas próteses varia de paciente para paciente.

 

5- Como um quadro de diabetes interfere na realização da cirurgia oncoplástica?

Estudos clínicos, não apenas na área de cirurgia mamária, mostram que as pacientes diabéticas apresentam cicatrização mais lenta ou mesmo insuficiente. Além disso, existe maior incidência de infecções. Caso seja um diabetes controlado (equilibrado) a cirurgia oncoplástica pode ser realizada, porém cuidados extras deverão ser tomados para favorecer a cicatrização e evitar complicações, como infecção.

Na situação de um diabetes não controlado, deve-se contra-indicar a reconstrução imediata e fazê-la em outro momento, com a paciente em melhores condições clínicas.

 

6- O que fazer caso se registre um caso de fibrose ou quelóide no pós-operatório da cirurgia oncoplática?

Na presença de fibrose em torno da prótese podem ser feitas massagens ou mesmo uso de medicações específicas, que inibem o processo de cicatrização excessiva. Em algumas ocorrências mais graves e não responsivas a essas medidas, pode ser feita uma pequena cirurgia de liberação das fibroses, chamada de capsulotomia. Pacientes submetidas à radioterapia têm maior incidência de fibroses que as que não fazem. Nestas pacientes, em 60% dos casos há a necessidade de uma cirurgia de capsulotomia para liberação de fibrose.

Quanto ao quelóide já estabelecido, pode ser realizada uma pequena cirurgia de retirada dele e aplicação de beta-terapia, um tipo de radioterapia superficial para inibir seu crescimento novamente. No quelóide não estabelecido (imaturo), podem ser utilizadas placas de silicone localmente, que inibem seu crescimento. Em algumas situações, pode ser aplicado corticóide dentro do quelóide para inibir o seu desenvolvimento.          

 

7- A mulher precisa tomar algum medicamento para evitar a rejeição das próteses?

Habitualmente, não há rejeição. O que pode ocorrer é uma reação de corpo-estranho no organismo, que leva ao aparecimento de uma cicatriz que envolve toda a prótese (chamada de cápsula). Este fenômeno pode ocorrer em qualquer material sintético implantado no organismo como válvulas, implantes dentários, marca-passo, etc. Em próteses de qualidade ruim ou colocadas há muito tempo, esta cicatriz é mais espessa e menos elástica, gerando um processo que chamamos de contratura capsular e dor.

Atualmente, existem medicações que inibem o crescimento excessivo desta cápsula (inibidores de leucotrienos) e reduzem, assim, a contratura. Outra situação clínica que às vezes é confundida com rejeição são os quadros de infecção aguda. Nestes quadros de infecção, o organismo tenta, por mecanismo de defesa, colocar a infecção para fora do corpo e no caso da infecção na prótese acaba "rejeitando-a" também. Mas, todo o processo é devido à infecção e não à rejeição da prótese propriamente dita.  

 

Perfil

Alexandre Mendonça Munhoz (CRM-SP 81.555) – Cirurgião Plástico

Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Mestre e Doutor em Cirurgia Plástica na área de Cirurgia Mamária pela HC-FMUSP, Dr. Munhoz é Coordenador do Grupo de Reconstrução Mamária do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Membro Especialista e Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Membro Consultor do corpo de revisores internacionais das revistas americanas Annals of Plastic Surgery e Plastic Reconstructive Sugery, Membro do Corpo Editorial da Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, além de integrar o corpo clínico dos Hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein, Fleury, Oswaldo Cruz e São Luis.

O foco científico levou o Dr. Munhoz a desenvolver 6 técnicas cirúrgicas originais descritas e publicadas internacionalmente: 4 na área de reconstrução mamária pos-câncer – oncoplástica; 1 na área de prótese de mama via axilar e 1 na área de cirurgia da intimidade (ninfoplastia/redução de pequenos lábios).

Com uma intensa atuação acadêmica, Dr. Alexandre possui 87 trabalhos científicos publicados em jornais e revistas do meio médico, sendo que 47 estudos estão indexados no www.pubmed.com (site da biblioteca médica norte-americana). O especialista já escreveu 24 capítulos de livros, sendo que 7 deles integram livros internacionais. 

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